Argentina tem política de mídia-educação

Capa de revista de mídia-educação argentina

A revista "RE" é editada mensalmente com uma coletânea de textos publicados na imprensa nacional que interessam aos jovens. É distribuída gratuitamente nas escolas e faz parte do programa "Escuela y Medios" do Ministério da Educação argentino.

Roxana Morduchowicz, pesquisadora argentina, faz um relato da política nacional de mídia-educação que começou a ser esboçada já em 1984, um ano após o restabelecimento da democracia, porque “as crianças que tinham vivido sob um rígido regime militar precisavam aprender o sentido da liberdade de expressão, liberdade de imprensa e direito à informação”.

Desde 2000, o Ministério da Educação argentino promove ações que tem como objetivos:

1. Formar professores em cursos presenciais e aprendizagem aberta;

2. Promover atividades para escolas, incentivando a produção de conteúdos midiáticos;

3. Promover oportunidades para a livre  expressão dos jovens;

4. Sensibilizar a comunidade.

Para concretizar esses objetivos, foram lançados projetos como “Escola, câmera, ação!”, no qual os estudantes são convidados a escrever histórias para serem filmadas. Roteiristas profissionais selecionam os melhores roteiros para produzir um curta, dirigido por diretores profissionais. Quando ficam prontos, os curtas são exibidos em salas de cinema antes da exibição de filmes.

Também foi feita uma pesquisa de abrangência nacional para compreender como os jovens usam as mídias. Os dados mostraram que 4 em cada 10 jovens não vão ao cinema por falta de dinheiro. O governo lançou então o programa “Semana do cinema para jovens do Esnino Médio”. Durante uma semana, os cinemas têm entrada franca para jovens das escolas públicas, para assistr uma programação especialmente elaborada para o festival.  O programa é patrocinado pela Câmara Argentina de Salas de Cinema.

Ela justifica a empreitada da seguinte forma:

A informação pela informação – de fato – não é suficiente. Nós valorizamos a informação que está inserida na cultura política (o lugar onde a informação tem significado) para fomentar a participação informada e a expansão da arena pública, sem restrições ou particularizações. Estamos falando sobre a mídia-educação que prepara as pessoas para evitar qualquer reducionismo na arena pública. (…) A mídia-educação deve contribuir para formar a consciência pública dos estudantes, de modo que eles aprendam a evitar restrições na sua participação social e a usar todos os canais possíveis para participar em processos de tomada de decisão em assuntos que afetam suas vidas cotidianas. (MORDUCHOWICZ, 2009, P. 178).

Clique aqui para acessar o programa “Escuela y Medios”.

Clique aqui para acessar a publicação “Mapping Media Education Policies in the World” da UNESCO (em inglês), onde o artigo foi publicado.

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Pesquisa investiga hábitos de informação e formação de opinião da população brasileira

A Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República divulgou o relatório final da pesquisa “Hábitos de Informação e Formação de Opinião da População Brasileira”, encomendada pelo governo a uma empresa privada, com o objetivo de investigar os hábitos de informação da população  e, assim, planejar melhor os esforços de comunicação do governo.

Foram entrevistas pessoas em 12 mil pessoas em 924 pontos amostrais de 539 municípios em todos os Estados da Federação, com 95% de confiança. A tabela abaixo caracteriza a amostra:

De um modo geral, os resultados sintetizados no relatório indicam que :

♦ Quase metade dos entrevistados lêem jornal, embora apenas 24% o façam diariamente. A maioria dos leitores considera a edição de domingo como mais importante. Cerca de 35% têm o hábito de ler revistas. Os mais velhos (25 e 39 anos) lêem mais jornal; os mais jovens (16 a 24 anos) lêem mais revistas.

♦ A televisão ainda é o meio de comunicação mais presente (96,6% dos entrevistados a assistem, a maioria entre 1 e 4 horas diárias) e os telejornais são tidos como os programas preferidos e mais importantes. A TV Globo é o canal preferido, seguida (de longe) pela Record: 69,8% dos entrevistados preferem a Globo, contra 13% a Recor. O Jornal Nacional tem a preferência de 56,4 dos entrevistados que afirmam assistir TV, e o principal motivo para assisti-lo é a confiança na emissora.

♦ O rádio continua sendo ouvido por 80% da população; desse universo, 60% ouve entre 1 e 4 horas diárias, preferindo a programação musical.

♦ Cerca de 46% da população acessa a internet. Desses, 66.5% tem acesso em casa, quase a totalidade deles com banda larga via cabo. Os internautas brasileiros navegam em média 16,4 horas semanais. A finalidade do acesso a Internet está relacionada à idade: enquanto para os mais jovens (entre 16 e 24 anos), o lazer é a principal finalidade de acesso à rede, para os mais velhos (com mais de 40 anos), o trabalho e a busca por informações são os principais motivos de acesso. Do universo de internautas, 47,7% lêem jornais ou blogs de notícias.

♦ No que se refere ao interesse por notícias do governo, os leitores de jornais tendem a acompanhá-las com mais freqüência do que os internautas. Os telespectadores demonstram interesse bem parecido com os leitores de jornais. Os leitores de revistas tendem a ser mais parecidos com os internautas e demonstram menos interesse em acompanhar notícias sobre o governo.

♦ A grande maioria dos entrevistados (quase 70%) afirma acompanhar pouco as notícias em geral. Consequentemente, quase 50% da população se considera pouco informada. Apesar de 21,4% dos entrevistados afirmarem acompanhar “muito” as notícias, apenas 6,4 deles se consideram muito informados.

Acesse a pesquisa completa aqui.

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Notícias sobre a implantação de Pontos de Cultura serão assunto da próxima reunião

André Azevedo da Fonseca fará apresentação sobre política do Ministério da Cultura, que tem como meta incentivar o protagonismo cultural

No dia 15 de junho de 2010 o professor André Azevedo da Fonseca participou como um dos pareceristas na banca de avaliação por mérito dos projetos submetidos ao primeiro Edital de Seleção para Projetos de Cultura da Cidade de Uberaba. Após a seleção, oito projetos foram aprovados. Cada ponto de cultura vai receber R$180 mil em recursos para desenvolver as suas atividades. Os recursos serão distribuídos em três lotes anuais de R$60 mil.

Veja os projetos aprovados em http://bit.ly/pontosdecultura-uberaba

Na reunião do grupo de pesquisa, André Azevedo vai relatar os critérios que têm sido utilizados pelo Ministério da Cultura para aprovar os projetos, tendo em vista que conversou com a coordenadora nacional do Ministério da Cultura, a pedagoga Eliete do Carmo Braga. Em síntese, observa-se que a filosofia da descentralização, do protagonismo cultural e da profissionalização/legalização das organizações foram fatores preponderantes.

Além disso, o professor vai relatar o projeto do Pontão de Cultura em Uberaba e convidar os colegas a participar desta iniciativa voltada para o desenvolvimento da cultura audiovisual em comunidades de quatro cidades da região. O pontão de cultura já foi aprovado no MinC, vai começar a receber recursos em julho e pode ser uma oportunidade muito interessante para o desenvolvimento de atividades de pesquisa e extensão do grupo. André Azevedo é coordenador pedagógico do projeto e está interessado em aplicar as referências teóricas do grupo nas atividades do Pontão de Cultura.

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Próxima reunião será no dia 25/6

A próxima reunião do grupo já está agendada para a próxima sexta-feira, 25/6, das 15 às 17h, na sala 212. Temos três assuntos para este dia:

♦ O professor André Azevedo, a Uniube, vai falar sobre a seleção dos 8 Pontos de Cultura aprovados na semana passada em Uberaba, além do Pontão, que deve ser anunciado em julho;

♦ A professora Alexandra vai reunir sugestões para aprimorar o projeto “Mapeamento de Serviços Públicos Locais para Celular e Internet: Unindo Inclusão Digital, Aprendizagem da Língua e Exercício da Cidadania em Atividades Extracurriculares”, que será submetido ao edital “Novos Talentos” da Capes;

♦ Num esforço coletivo, vamos reunir sugestões de ferramentas web 2.0 que inovam o trabalho em sala de aula.

CARTAZ DA REUNIAO 4

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CCTCI da Câmara debate resultados da Confecom

Ministro Franklin Martins fala em audiência pública

Ministro Franklin Martins fala em audiência pública na CCTCI

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara promoveu audiência pública na manhã de hoje, para debater os resultados da Confecom.  A primeira mesa foi composta pelo secretário Franklin Martins da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, pelo Consultor Jurídico do Ministério das Comunicações Marcelo Bechara de Souza Hobaika, pelo assessor especial da Casa Civil da Presidência República Marcelo Barbosa e pelo Secretário do Audiovisual Newton Cannito.

A professora Alexandra Bujokas esteve presente na audiência, e produziu uma síntese do discurso do secretário Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República:

Síntese do discurso do secretárioFranklin Martins em audiência pública promovida pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados, em 10 de junho de 2010:

Antes da I Confecom, as questões sobre a radiodifusão só podiam ser discutidas a portas fechadas. A conferência teve o mérito de trazer esse debate a público, de colocar essa discussão na agenda política do país. Foram mais de 6 mil propostas, 1.600 vieram para a conferência nacional e mais de 600 foram aprovadas;

Foi um debate tenso e confuso, mas que não tinha como ser diferente – muitos atores presentes ali não discutiam a comunicação social desde a re-democratização;

A Confecom foi realizada num momento em que governos em todo o mundo estão discutindo a comunicação, por causa do fenômeno da convergência, que traz questões ainda sem repostas. É o momento de discutir, olhando para frente, para o que virá, e não para trás;

Passados 22 anos da promulgação da Constituição, os artigos sobre a comunicação ainda não foram regulamentados. O Conselho de Comunicação Social está desativado e é impressionante que não esteja funcionando!

Toda vez que se toca na questão do marco regulatório e do estabelecimento dos órgãos responsáveis por aplicar esse marco, fala-se em ameaça à liberdade de imprensa. Muitas outras democracias têm marcos regulatórios e a imprensa não está ameaçada!

O governo defende a liberdade de imprensa e não confunde a liberdade de imprensa com o marco regulatório. Pessoas informadas também não fazem isso;

Quando é para regular o outro, todo mundo quer, quando é para regular a gente, ninguém quer, quando é para regular o todo, ficamos com medo. A posição do governo é a de que é preciso ter um debate público e transparente, inclusive com liberdade de imprensa para discutir esse assunto;

A saída da Abert e ANJ da Confecom não foi um bom negócio para as empresas de radiodifusão, porque elas perderam a oportunidade de discutir questões importantes para os negócios. A convergência de mídias é um fenômeno inevitável, e esse novo ambiente de mídia exige regulação, senão vai virar “a lei da selva”. Dados de 2008 mostraram que o setor de radiodifusão faturou 12 milhões de reais e que o setor de telecomunicações faturou 130 milhões de reais. Se não houver regulação estatal, quem ganha esse jogo?

Para o governo, a radiodifusão tem papel estratégico e precisa ser discutida, mas não entre grupos fechados, para depois ser comunicada ao país. Isso não vai mais acontecer;

A análise das propostas da Confecom está sendo concluída e nas mais de 600 propostas aprovadas, foram identificados cinco eixos:

  1. A demanda por um marco regulatório que trate das questões fundamentais da área, tais como uma política transparente de outorgas, a questão da propriedade cruzada dos meios de comunicação etc.
  2. A regulamentação do artigo 221 da Constituição, que trata da produção nacional, regional e independente. Isso é responsabilidade do Congresso.
  3. A questão dos direitos autorais: o Brasil tem uma das leis de direitos autorais mais rígidas do mundo, e as coisas estão mudando muito rápido nesse setor.
  4. A definição de princípios para regulamentar e reger a comunicação pública no país. Hoje, só a EBC tem isso.
  5. A criação de um marco civil para a internet.

O teor das propostas pode ser categorizado em três grupos: 1. Quais podem ser tratadas na legislação já existente, 2. Quais implicam num marco regulatório, 3. Quais são recomendações ao governo;

Concluída a análise das propostas aprovadas, todas as questões serão equacionadas e um documento será entregue ao próximo governo e caberá a esse governo decidir como as reivindicações serão encaminhadas.

Antes disso, os candidatos deveriam debater a questão da comunicação.

“Eu costumo lembrar de um musical dos anos 70, o Hair, que falava da Era de Aquário. A comunicação está vivendo o fim do aquário, das redações fechadas que só emitiam informação. Estamos agora na era da rede, as pessoas descobriram que têm o poder de discutir, de conversar. A era do aquário era boa só para o aquário, não para a sociedade”.

Assista a audiência neste link

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Democracia Digital é tema da próxima reunião

O grupo de pesquisa MECNC recebe, nesta sexta-feira, 7 de maio, o professor Danilo Rothberg, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) para falar sobre o conceito de democracia digital.

Trata-se de um campo interdisciplinar de pesquisa e ação política, já estabelecido em países europeus, principalmente Inglaterra.No Brasil, pesquisadores da área de comunicação, pricnipalmente, vem se dedicando ao tema.

De uma forma sintética, pode-se dizer que a democracia digital consiste na implementação de uma série de mecanismos que permitam a formulação compartilhada de políticas públicas e de legislações que sustentam as políticas, nos três níveis de governo (Nação, Estado e Município) e nos três poderes (executivo, legislativo e judiciário). As consultas públicas online são uma das mais efetivas e importantes formas de exercício da democracia digital.

“O avanço dos diferentes níveis de democracia digital e governo eletrônico no Brasil tem sido, cada vez mais, objeto de estudo das ciências sociais e tem trazido a expectativa de ampliação dos espaços de realização democrática e a aprofundamento da cidadania no país”, explica Rothberg.

Mas, para que a participação na esfera digital aconteça de fato, é fundamental que a população participe da consulta pública e que as participações da população sejam consideradas no momento da formulação final da lei. Além disso, as contribuições e os comentários feitos  pelo público devem ficar disponíveis. Quando a consulta é feita para melhorar um dispositivo já existente, as alterações resultantes da manifestação do público devem ser esclarecidas e compartilhadas.

“A democracia digital não deve ser confundida com a inclusão digital e nem com a educação para a mídia embora, numa visão sistêmica, essas três áreas se relacionam”, explica Rothberg. “Em outras palavras, para que o público participe de consultas, precisa ter acesso à internet, daí relação com a inclusão digital, e precisa saber acessar sistemas, localizar e avaliar informações e produzir seu conteúdo, daí a relação com a educação para a mídia, ou media literacy, como se chama a área em inglês”.

As relações entre democracia digital e mídia-educação tornam o tema relevante para a formação de professores sintonizados com as demandas educacionais do século XXI. Daí a inclusão desse tema no rol de dicussões do grupo.

Serviço:

Democracia Digital

Palestra com o professor Danilo Rothberg, na programação de reuniões do grupo de pesquisa “Mídia, Educação, Cultura e Novas Cidadanias”

Sexta-feira, 7 de maio, das 15 às 17h

Local: sala 113 do Centro Educacional da UFTM

Informações:  3318-5803



Impacto das TIC na Educação

De hoje, 26/4, a quarta, 28, as Coordenações de Comunicação e Informação da UNESCO do Brasil e do Chile promovem o evento “Impacto das TIC na Educação”, em Brasília.

A professora Alexandra Bujokas,  grupo MECNC partcipou da oficina prévia à conferência, coordenada pelo Alfredo Rojas, da UNESCO Chile.

Rojas iniciou as atividades, contrastando o método pedagógico de um mestre samurai que responde ao questionamento de um jovem guerreiro sobre se há inferno e céu: equanto o mestre oriental simula situações que levam o guerreiro a produzir uma resposta própria, o mestre “estilo latino americano” começa a discorrer sobre céu e inferno e blá, blá, blá, criando um discurso abstrato que se afasta da realidade…
Essa anedota direcionou a abordagem da “programação curricular”, pensada para agregar qualidade ao ensino escolar. Em linhas gerais, esse modelo contempla os seguintes tópicos:
1. Há coerência entre o projeto pedagógico e as situações de aprendizagem, isto é, o projeto não fica apenas no plano das formalidades;
2. Há preocupação com a economia e eficiência: atividades focadas nos objetivos e toma-se o cuidado para que não sejam desviadas;
3. As aulas são organizadas de maneira clara e precisa, de modo que outros professores possam executar a atividade, na falta do professor titular;
4. As atividades devem ter significado e relevância para o público ao qual se destinam e devem entreter e envolver os estudantes;
5. Há riqueza e universalidade nos exercícios devem envolver domínios cognitivos de maior complexidade e, sempre que pertinente, temas da cultura universal que dialoguem com a cultura local;
6. A avaliação é um processo que retroalimenta a atividade do professor.
Outro aspecto que me chamou a atenção: Raul Rojas foi enfático ao dizer que as escolas que não têm projeto pedagógico, relação com a comunidade, liderança instrucional, ão muda com a inclusão das TICs nas atividades.

Na prática, repetem o samurai latino-americano…

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